segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Jornalistas por formação e dedicação

Quando eu era criança não queria ser professora... nem veterinária. Gostava mesmo era de pegar um microfone e apresentar programas de TV para as minhas bonecas. Por causa da minha timidez de menina, o público se restringia a estes seres inanimados, mas que para mim tinham sim muita vida. Então fui crescendo - é certo que não cresci tanto assim - mas a timidez foi ficando para trás e me revelei uma adolescente super comunicativa.

Mas não digo que quis fazer comunicação porque sou "comunicativa". Aliás, eu detesto quando alguem me diz isto. Quis ser comunicadora porque estava escrito. Está no meu sangue de Saragá. Meu avó, David Saragá, foi jornalista por dedicação. Mesmo com toda a dificuldade que passou para enfrentar a vida, lá estava ele sentado em sua escrivaninha com uma xícara de café e sua inseparável máquina de escrever, que hoje está comigo. Na época, diploma era só pra quem queria ser "doutor". Engenheiro, médico, advogado.

Hoje, nós jornalistas sabemos o quanto é importante conseguir um diploma. Não pelo pedaço de papel, que provavelmente ficará guardado em uma gaveta junto a coisas que você nunca usa. Mas pelo que esse papel representa. Só quem vivenciou a experiência de cursar uma faculdade sabe o que estou falando. Crescimento profissional sim, mas principalmente pessoal. Algumas disciplinas, você não sabia para que iriam servir, e não serviram mesmo pra nada até hoje. Outras você so entendeu a importância merecem sim ser chamados de mestres. Outros, apenas uma ótima companhia para filosofar em um "buteco". Alguns colegas, você nem lembra mais o nome, pois cursaram apenas o 1º período neste mesmo "buteco". Outros, poucos, você pode chamar de amigo e vai levar para o resto da vida.

Aí no meio do caminho vem um tal de Gilmar Mendes e diz que nós jornalista não precisamos deste tão sonhado diploma. Do pedaço de papel, eu concordo com ele. Mas o valor que ele representa, só nós, jornalistas por formação, poderemos saber.